Um conselho pra você

Já percebeu que somos naturalmente rebeldes? Temos dificuldade em receber conselhos em geral.

Quando criança tentamos nos esquivar dos sermões da mãe, das advertências na escola, do remédio amargo para dor de barriga. Somos inclinados a criar nossas próprias regras e gerar nosso sofrimento personalizado. Quando nos esquivamos das consequências negativas, que vitória! Nossa auto-estima fica poderosa. Nos convencemos de que não precisamos de conselho nenhum.

Isso só piora quando crescemos. Não queremos as regras de trânsito, pagar impostos, aderir às novas regras da empresa. O que será que acontece?
Lutamos diariamente para não receber conselhos. Ainda mais – em meu país, existe um ditado popular que diz “se conselho fosse bom, não se dava, se vendia”, ou seja, se eu derivasse vantagem de conselhos alheios, com certeza seria pagando um alto preço por ele primeiro, afinal, tudo tem um preço.

Esse pensamento todo começou há alguns dias quando uma pessoa que pouco me conhece acatou de imediato um conselho sincero que dei. Um conselho que abrangia meu carinho, preocupação, interesse, desejo de ver o aconselhado ser mais bem-sucedido e feliz. Fiquei tão supresa com a aplicação prática e instantânea do meu conselho, que passei a pensar como todos nós deveríamos ser assim. Humildes e modestos para reconhecer que há pessoas que já traçaram caminhos semelhantes aos nossos, já colheram frutos maduros de decisões importantes e têm muito para nos ensinar.

Passei 3 dias num congresso recebendo conselhos. Alguns não foram fáceis de admitir, outros não serão tão fáceis de aplicar. Mas sabe qual foi a minha impressão final? Me senti amada, cuidada e protegida. Quero receber conselhos que me orientem para sempre. Mesmo errando, quero ter a certeza de que provei todas as alternativas disponíveis, mas não quero sentir a culpa de ter sido arrogante e negado conselhos vitais.

Posso dar um conselho? Abra sua mente e coração para receber conselhos dos que te amam. Pode significar vida!

Como Se Não Houvesse Amanhã

Ontem eu ouvi uma palestra tão linda abordando um assunto que deveria ser tão óbvio para todos nós! Infelizmente quanto mais eu vivo, mais percebo que não é. Ouvir essa palestra foi como vestir uma roupa cheirosa e confortável. Eu nunca mais quero tirar de perto de mim. O tema foi: “Por que devemos ser imparciais e não tendenciosos quanto à culturas e nacionalidades diferente das nossas?” Simples! Porque somos humanamente iguais com características diferentes que torna essa diversidade um verdadeiro espetáculo.
Há anos venho batalhando pra mudar a mentalidade das pessoas nesse sentido, mas os poderosos modos de informação manipulam opiniões com tamanha destreza que isso me entristece.
Certa vez, após ver uma notícia sobre como uma família de um país subdesenvolvido recebeu atendimento médico, vacinas e mosqueteiros, ouvi um comentário de uma pessoa que fez sangrar meus ouvidos: ‘Como pode em pleno século XXI ainda existir uma mulher com 11 filhos mesmo vivendo em extrema pobreza!’. Mesmo sem saber muito a respeito da cultura daquele país, iniciei uma série de questionamentos – muitos dos quais eu não tinha jamais parado pra analisar. Eu argumentei, por exemplo, que numa cultura como a deles, ter um bom número de filhos pode significar mais braços pra trabalhar, mais amparo na velhice dos pais, símbolo de prosperidade e saúde. Métodos contraceptivos talvez sejam vistos como desnaturais e agressivos. Talvez nem se tenha acesso a eles. Acrescentei ainda que ignorância é sermos viciados em celulares como em nosso país, deixar que eletrônicos substituam relações humanas, não encarar nossa família como nosso porto-seguro é desumano em qualquer cultura.
Já defendi tantas culturas que tenho a impressão ser um pedaço de cada país. Não queira mais ter de brigar pelos direitos alheios de ser conforme sua cultura delineia. Queria apenas que as pessoas aprendessem, como diz uma famosa música em meu país, “amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Jellyfish

Vivo num país onde o tema “amizade” é abordado com bastante entusiasmo. Num geral somos pessoas de sentimentos calorosos e bem-humorados. Ainda assim, existe uma nuvem de hipocrisia e preconceito quanto de trata de amizades entre pessoas de diferentes gêneros.

Pessoas inteligentes com a mente aguçada sempre me atraíram de uma forma especial. Vai muito além de olhar águas-vivas num aquário – enxergo nessas pessoas uma beleza única, infelizmente tão pouco valorizada em nosso mundo fútil e ganancioso. Os movimentos de uma mente brilhante combinados com um coração puro inevitavelmente se tornam um espetáculo para mim. Quisera eu guardar tal pessoa num aquário particular.

Essa teoria faz até algum sentido quando aplicadas a pessoas que nos cercam fisicamente, não é? Mas o que dizer se essa mágica acontece em um continente distante, com pessoas que você nunca viu na vida? É nesse momento que me dou conta de que somos todos irmãos e temos uma matriz comum, faz total sentido.

Procurei no dicionário a definição simplória foi:

“Sentimento de afeição  simpatia recíprocas entre dois ou mais entes”

Eu discordo. Simpatia? As pessoas tem medo da palavra amor. Infelizmente tal palavra é mencionada com banalidade nas mídias referenciando apenas os sentimentos românticos. Isso fez com que usássemos essa palavra com tamanha cautela e dor. Eu te amo, mãe. Eu te amo, irmão. Eu te amo, amigo. Eu te amo, vida. Não precisa sangrar. Ao contrário, tem um poder curador.

Portanto, sem medo ou limites, amo minhas águas-vivas bem seguras e guardadas no aquário do meu coração.

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