Jellyfish

Vivo num país onde o tema “amizade” é abordado com bastante entusiasmo. Num geral somos pessoas de sentimentos calorosos e bem-humorados. Ainda assim, existe uma nuvem de hipocrisia e preconceito quanto de trata de amizades entre pessoas de diferentes gêneros.

Pessoas inteligentes com a mente aguçada sempre me atraíram de uma forma especial. Vai muito além de olhar águas-vivas num aquário – enxergo nessas pessoas uma beleza única, infelizmente tão pouco valorizada em nosso mundo fútil e ganancioso. Os movimentos de uma mente brilhante combinados com um coração puro inevitavelmente se tornam um espetáculo para mim. Quisera eu guardar tal pessoa num aquário particular.

Essa teoria faz até algum sentido quando aplicadas a pessoas que nos cercam fisicamente, não é? Mas o que dizer se essa mágica acontece em um continente distante, com pessoas que você nunca viu na vida? É nesse momento que me dou conta de que somos todos irmãos e temos uma matriz comum, faz total sentido.

Procurei no dicionário a definição simplória foi:

“Sentimento de afeição  simpatia recíprocas entre dois ou mais entes”

Eu discordo. Simpatia? As pessoas tem medo da palavra amor. Infelizmente tal palavra é mencionada com banalidade nas mídias referenciando apenas os sentimentos românticos. Isso fez com que usássemos essa palavra com tamanha cautela e dor. Eu te amo, mãe. Eu te amo, irmão. Eu te amo, amigo. Eu te amo, vida. Não precisa sangrar. Ao contrário, tem um poder curador.

Portanto, sem medo ou limites, amo minhas águas-vivas bem seguras e guardadas no aquário do meu coração.

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