Como Se Não Houvesse Amanhã

Ontem eu ouvi uma palestra tão linda abordando um assunto que deveria ser tão óbvio para todos nós! Infelizmente quanto mais eu vivo, mais percebo que não é. Ouvir essa palestra foi como vestir uma roupa cheirosa e confortável. Eu nunca mais quero tirar de perto de mim. O tema foi: “Por que devemos ser imparciais e não tendenciosos quanto à culturas e nacionalidades diferente das nossas?” Simples! Porque somos humanamente iguais com características diferentes que torna essa diversidade um verdadeiro espetáculo.
Há anos venho batalhando pra mudar a mentalidade das pessoas nesse sentido, mas os poderosos modos de informação manipulam opiniões com tamanha destreza que isso me entristece.
Certa vez, após ver uma notícia sobre como uma família de um país subdesenvolvido recebeu atendimento médico, vacinas e mosqueteiros, ouvi um comentário de uma pessoa que fez sangrar meus ouvidos: ‘Como pode em pleno século XXI ainda existir uma mulher com 11 filhos mesmo vivendo em extrema pobreza!’. Mesmo sem saber muito a respeito da cultura daquele país, iniciei uma série de questionamentos – muitos dos quais eu não tinha jamais parado pra analisar. Eu argumentei, por exemplo, que numa cultura como a deles, ter um bom número de filhos pode significar mais braços pra trabalhar, mais amparo na velhice dos pais, símbolo de prosperidade e saúde. Métodos contraceptivos talvez sejam vistos como desnaturais e agressivos. Talvez nem se tenha acesso a eles. Acrescentei ainda que ignorância é sermos viciados em celulares como em nosso país, deixar que eletrônicos substituam relações humanas, não encarar nossa família como nosso porto-seguro é desumano em qualquer cultura.
Já defendi tantas culturas que tenho a impressão ser um pedaço de cada país. Não queira mais ter de brigar pelos direitos alheios de ser conforme sua cultura delineia. Queria apenas que as pessoas aprendessem, como diz uma famosa música em meu país, “amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Jellyfish

Vivo num país onde o tema “amizade” é abordado com bastante entusiasmo. Num geral somos pessoas de sentimentos calorosos e bem-humorados. Ainda assim, existe uma nuvem de hipocrisia e preconceito quanto de trata de amizades entre pessoas de diferentes gêneros.

Pessoas inteligentes com a mente aguçada sempre me atraíram de uma forma especial. Vai muito além de olhar águas-vivas num aquário – enxergo nessas pessoas uma beleza única, infelizmente tão pouco valorizada em nosso mundo fútil e ganancioso. Os movimentos de uma mente brilhante combinados com um coração puro inevitavelmente se tornam um espetáculo para mim. Quisera eu guardar tal pessoa num aquário particular.

Essa teoria faz até algum sentido quando aplicadas a pessoas que nos cercam fisicamente, não é? Mas o que dizer se essa mágica acontece em um continente distante, com pessoas que você nunca viu na vida? É nesse momento que me dou conta de que somos todos irmãos e temos uma matriz comum, faz total sentido.

Procurei no dicionário a definição simplória foi:

“Sentimento de afeição  simpatia recíprocas entre dois ou mais entes”

Eu discordo. Simpatia? As pessoas tem medo da palavra amor. Infelizmente tal palavra é mencionada com banalidade nas mídias referenciando apenas os sentimentos românticos. Isso fez com que usássemos essa palavra com tamanha cautela e dor. Eu te amo, mãe. Eu te amo, irmão. Eu te amo, amigo. Eu te amo, vida. Não precisa sangrar. Ao contrário, tem um poder curador.

Portanto, sem medo ou limites, amo minhas águas-vivas bem seguras e guardadas no aquário do meu coração.

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